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23 de outubro de 2023
As dietas estão na vida de muita gente desde a infância seja para emagrecer para frear o bullying nas escolas, para entrar no vestido dos 15 anos, vestido de noiva e por aí vai.
E é provável que você tenha vivido o seguinte ciclo com as dietas: começar super empolgada o famoso “agora vai”, depois desanimar com as dificuldades, mas se manter firme, perder peso, ficar feliz, ganhar peso e fazer dieta novamente.
A pergunta é por que se vive tanto esse ciclo ao longo dos anos?
Dieta restritiva é uma alimentação onde se exclui um ou mais grupos de alimentos ou de nutrientes com único objetivo de emagrecer sem que se considere rotina, acesso financeiro, gostos individuais e contexto emocional.
O nosso cérebro evoluiu para nos proteger de tudo o que oferece perigo a nossa vida e um desses perigos é a falta de comida, por isso o nosso cérebro é muito preparado para lidar com situações de falta de comida.
E ele responde a essa falta nos induzindo a comer mais e mais ou absorvendo 100% do que comemos.
A questão é que ele não sabe separar a falta de comida porque realmente não tem disponibilidade de comida da falta da comida porque você está fazendo dieta restritiva.
E a resposta é sempre a mesma te fazer comer! Por isso, você começa a dieta animada na segunda-feira, mas a noite não para de pensar em doce, pizza e hamburguer.
É o seu cérebro querendo que você coma e coma alimentos mais calóricos!
As dietas param de funcionam também porque não se aplica no dia a dia, vamos imaginar que você está fazendo uma dieta low carb e sua família tem a tradição de se reunir para fazer massa para comer no almoço de domingo. Como será participar desse momento se você está numa dieta que não poder comer carboidrato?
Além disso, a dieta esquece os aspectos emocionais. Imagine que você falou que irá fazer o desafio zero açúcar, 15 dias sem comer nada de açúcar, mas você não considerou que o chocolate é um alimento de conforto para você e que provavelmente num dia difícil você irá recorrer a ele. Como você vai lidar com esse cenário?
O desanimo com a dieta surge porque a cada dia que passa parece que estamos numa encruzilhada.
As consequências das dietas são muitas e passam pela parte física e emocional.
Na saúde física a primeira consequência é o sentir muita fome e não poder comer. Por conta da falta de comida o corpo precisa utilizar outros recursos para gerar energia e o primeiro recurso a ser utilizado é o músculo.
O corpo começa utilizar o músculo para produzir energia e isso se mostra na balança com uma perda de peso rápida, já que o músculo retém muita água.
E a animação da primeira semana de dieta irá embora daqui alguns meses quando o corpo recuperar o peso perdido em músculo na forma de gordura. Esse efeito sanfona e perda de músculo provocará um metabolismo lento e que irá impactar na demora para emagrecer conforme se avança a idade.
Na saúde emocional é comum aparecer a culpa por comer alimentos vistos como proibidos, engordativos e ruins. O problema é que esses alimentos costumam estar relacionado com o emocional e vivências sociais, tornando tudo mais difícil.
A frustração quase sempre dá as caras seja por não conseguir levar a dieta até o final ou ficar emagrecendo e engordando a cada dieta.
Voltando a falar da saúde física, um dos efeitos das dietas restritivas é desregular o ciclo menstrual porque o corpo não está recebendo gordura o suficiente para produzir os hormônios femininos.
Se essa dieta exclui qualquer fonte de gordura da alimentação vai alterar o ciclo menstrual e reprodutivo de pessoas com útero. No longo prazo pode trazer consequência para os ossos já que os hormônios femininos ajudam a reter o cálcio no almoço.
Considerando a explicação que coloquei acima, as dietas restritivas te levam a engordar no longo prazo porque o seu cérebro acha que você está passando fome e a solução para isso é te fazer comer e absorver 100% de tudo que você comer e armazenar na forma de gordura.
Você já começou uma dieta querendo emagrecer 10kg e depois de um tempo queria perder 15kg? Pois bem, esse é o efeito da dieta restritiva no longo prazo.
Algo que costumamos dizer no tratamento de transtornos alimentares é que a nem toda pessoa que faz dieta tem transtorno alimentar, mas todo transtorno alimentar começou com uma dieta.
O transtorno se desenvolve por uma combinação de fatores, mas a dieta é sempre um fator presente porque afeta profundamente a relação com o corpo e a comida.
Então, dependendo da genética, contexto familiar e psicológico fazer dieta pode ser sim um risco para o desenvolvimento de transtorno alimentar.
E pensando na compulsão alimentar a dieta pode ser um forte gatilho porque o cérebro irá te induzir comer muito depois de um período de restrição e isso pode ao longo do tempo configurar o transtorno da compulsão alimentar.
Para sair de uma dieta restritiva é importante entender que ela não é o caminho para emagrecer ou melhorar sua alimentação.
Comece mudando sua alimentação aos poucos, inclua um novo hábito por vez para que possa incluir a mudança na sua rotina de forma duradoura.
Volte a observar sua fome e saciedade e pare de contar calorias! A solução está em aumentar a conexão com seu corpo e não ficar dependendo de fatores externos.
Pare de seguir perfis nas redes sociais que estimulam ter um corpo impossível e a fazer dietas restritivas.
Procure ajuda, o efeito da dieta sobre sua relação com e a comida podem ser profundos é necessário ajuda de um nutricionista comportamental para te ajudar a voltar a superfície e respirar livremente.
Devido a perda de massa muscular o metabolismo vai reduzir a cada dieta que você faz, o corpo também reduz o metabolismo por acha que você está passando fome, por isso não faz sentindo te fazer gastar tanta energia.
Eu sei que você gostaria de fosse ao contrário, mas pense que o metabolismo é com um salário. Se você recebe mais você gasta mais, se você recebe menos você gasta menos.
Para recuperar o metabolismo é importante voltar a comer e recuperar a massa muscular é assim que seu corpo irá conseguir voltar a ter um metabolismo que funcione normalmente.
Leva tempo? Sim, não tem atalho. Mas é o melhor e mais saudável caminho para voltar a ter saúde física e emocional.
Dieta restritiva provoca efeitos na saúde física e saúde emocional, as vezes essa dieta pode evoluir para um transtorno alimentar como a compulsão alimentar.
A solução é voltar a comer, mudar a alimentação aos poucos, recuperar músculo e cuidar do efeito emocional provocado pela dieta.
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