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23 de outubro de 2023
Por conta do padrão de beleza e corpos “perfeitos” no Instagram os transtornos alimentares estão aumentando a cada dia. Numa corrida para ter o corpo perfeito se desenvolve um problema de saúde, na sua maioria das vezes, grave.
Mas afinal o que é o transtorno alimentar?
O transtorno alimentar é um conjunto de comportamentos, pensamentos e atitudes que envolve uma relação difícil com a comida, onde ela passa a ser o centro da pessoa que vive com anorexia, bulimia e compulsão alimentar (são os principais transtornos alimentares).
Ele se torna grave porque não afeta apenas a saúde física, mas também a saúde psicológica e social (relação com amigos, familiares, trabalho, estudo).
A comida é a base da nossa sobrevivência, logo se não a recebemos da forma adequada não vamos conseguir trabalhar e estudar da forma que seria mais saudável.
Quais situações sociais não envolve comida? Muito difícil identificar né? Logo, se quando vê amigos e familiares pode ter certeza que haverá comida, nem que seja um café e um bolo, mas vai ter.
Agora pensa, imagine você brigou com alguém e esse alguém está em todos os lugares, trabalho, escola, passeio. O que você faria?
Aprenderia lidar com essa pessoa da melhor forma possível? Isso é uma alternativa muito boa, mas não é o que uma pessoa com transtorno alimentar faz, uma pessoa com transtorno alimentar se afasta da comida e consequentemente das pessoas e ambientes onde a comida estiver.
As causas são muitas e normalmente costumam estar combinadas. Os fatores passam pela genética, contexto familiar, características da personalidade e psicológica e pressão pela magreza.
Vamos imaginar a seguinte história: Maria tem uma personalidade impulsiva, cresceu num ambiente onde todos falam do seu corpo e do que comia, por isso começou a fazer dieta ainda criança.
Ao longo dos anos foi aprendendo métodos inadequados para perder peso e se livrar das calorias e hoje é diagnosticada com bulimia. Ao receber o diagnóstico lembrou que sua tia por parte de pai também tinha a mesma doença.
Percebeu como os fatores vão se sobrepondo, não existe um único fator. A questão que costuma se ver é a presença das dietas em quase todo mundo que apresenta um transtorno alimentar.
Os principais transtornos alimentares são: anorexia, bulimia e compulsão alimentar.
Anorexia: se caracteriza pela grande perda de peso, medo intenso de engorda, se perceber muito maior do que de fato é e tem uma alimentação muito, muito restrita.
Bulimia: se caracteriza por fazer dieta restritiva, depois ter compulsão alimentar e por conta da intensa culpa e mal-estar faz práticas inadequadas para se livrar das calorias.
Compulsão alimentar: se caracteriza pela tentativa de fazer dieta que resulta no consumo de uma grande quantidade de comida em um tempo muito pequeno.
Os transtornos são perigosos porque afetam a vida como um todo. Por exemplo, na anorexia o risco de morrer é alto devido a desnutrição, já na bulimia pode causar graves problemas ao sistema digestório, como câncer e na compulsão problemas de saúde como diabetes e hipertensão, além de afetar a parte financeira pelo intenso gasto com comida; além de todas elas afetarem as relações com amigos e familiares.
As consequências são sérias e demora um tempo para se agravar, mas quanto mais rápido se começar o tratamento, melhor!
O transtorno alimentar é complexo e por isso exige uma equipe mínima, onde cada profissional irá olhar um aspecto e conectar com os outros fatores.
O nutricionista vai ajudar a organizar a alimentação, ajudar o paciente a perder o medo da comida, a se alimentar normalmente, voltar a frequentar os ciclos sociais, trabalhar a relação com o corpo e zerar com a restrição e métodos compensatórios.
O psiquiatra ajudará com a medicação para que o paciente ajuste a questão dos impulsos e aos poucos possa reestabelecer a saúde cerebral para a recuperação se tornar mais fácil.
O psicólogo vai ajudar a cuidar das relações dos pacientes, incentivar a criação de novos vínculos, estabelecer seus limites e trabalhar a relação com o corpo.
Se você tem uma suspeita e um grande sofrimento com a comida isso pode ser um indício, mas é difícil fazer diagnostico pela internet. Já que muitas coisas podem alterar a relação com a comida e dá a impressão de um transtorno alimentar, por exemplo, ansiedade e depressão.
Por isso, procure avaliação de um psiquiatra, ele vai pode te dizer e trazer o diagnostico mais especifico. E em caso afirmativo, é importantíssimo que você comece o tratamento com psicólogo e nutricionista o mais rápido possível.
Lembre-se que para o sucesso do tratamento e recuperação é importante ter esses 3 profissionais juntos te ajudando a superar essa doença.
E agora, você deve estar se perguntando se o transtorno alimentar tem cura.
Infelizmente não podemos dizer que há cura para o transtorno alimentar, porque por cura entende-se o não retorno da doença em nenhum momento da vida, mas isso não é possível afirmar no caso dos transtornos alimentares.
No caso do transtorno alimentar o tratamento consegue fazer a remissão dos sintomas, ou seja, é como se a doença fosse uma voz alta e baixássemos o volume ao nível inaudível, isso vai ajudar a estabelecer uma vida normal e feliz.
Mas existem fatores que podem ao longo dos anos desencadear os sintomas, por isso é importante que depois da alta o paciente combine com o nutricionista, psicólogo e psiquiatra consultas anuais para avaliação e relembrar os pontos combinados.
O transtorno alimentar pode surgir por diversos fatores, sendo a dieta quase sempre um fator em comum.
Para evitar o transtorno alimentar é importante cuidar da relação com a comida (uma relação sem culpa), cuidar da relação com o corpo e entender que existe uma diversidade de corpos e cada um é bonito à sua maneira e cuidar para ter relações saudáveis.
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