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23 de outubro de 2023
O absenteísmo no trabalho é muitas vezes explicado por problemas médicos, psicológicos ou até por fatores externos, como estresse e sobrecarga de tarefas. No entanto, existe um elemento silencioso que impacta diretamente a saúde e a produtividade dos profissionais: a relação com a comida.
Muitas pessoas não percebem que a forma como se alimentam no dia a dia pode influenciar tanto o desempenho no trabalho quanto a frequência de afastamentos. Uma rotina alimentar desorganizada, marcada por beliscos constantes, longos períodos de jejum, dietas restritivas ou episódios de comer emocional, pode gerar consequências que ultrapassam a esfera pessoal e afetam também a vida profissional.
Quando não há uma rotina alimentar equilibrada, o corpo começa a dar sinais de desgaste. Problemas como má digestão, gastrite, refluxo e dores abdominais surgem com frequência, comprometendo o bem-estar e dificultando a concentração durante o expediente.
A longo prazo, a alimentação desregulada pode contribuir para o desenvolvimento de doenças crônicas, como hipertensão, diabetes e obesidade, que exigem acompanhamento médico e afastamentos recorrentes para consultas, exames e tratamentos. Isso significa que a pessoa acaba se ausentando do trabalho para “apagar incêndios” em sua saúde, já que a prevenção não foi priorizada.
Outro ponto importante é que muitas pessoas recorrem a dietas restritivas e radicais como solução rápida para melhorar a saúde ou a aparência. O problema é que esse tipo de estratégia, ao invés de trazer mais energia e disposição, provoca justamente o contrário: falta de nutrientes, cansaço, dificuldade de concentração e queda na produtividade.
No ambiente de trabalho, esses efeitos ficam visíveis. A pessoa se sente mais distraída, menos criativa e incapaz de manter um bom ritmo de entrega. Isso impacta diretamente na performance e pode até gerar conflitos na equipe, já que os colegas percebem a queda de rendimento.
Além das restrições, o comer emocional é outro fator que influencia o absenteísmo. Muitas pessoas usam a comida como uma válvula de escape para lidar com estresse, ansiedade e pressões do dia a dia. O problema é que, após episódios de exagero alimentar, vêm o desconforto, a culpa e, muitas vezes, sintomas físicos como dor abdominal e fadiga.
Essas situações dificultam a permanência no ambiente de trabalho, comprometem a performance e podem levar a afastamentos. Afinal, um profissional que não está se sentindo bem física e emocionalmente dificilmente consegue entregar o seu melhor.
Um dos maiores problemas relacionados à saúde e ao trabalho é a falta de prevenção. Muitas vezes, o cuidado com a alimentação só acontece diante de uma emergência: quando a dor, o mal-estar ou o diagnóstico de uma doença já está instalado. Nesse momento, o profissional precisa se ausentar para consultas, tratamentos e até licenças médicas, o que aumenta os índices de absenteísmo.
Esse ciclo se repete porque ainda existe a ideia de que a alimentação é algo secundário, quando, na verdade, ela é a base para manter energia, concentração e equilíbrio emocional no trabalho.
A boa notícia é que é possível prevenir grande parte desses afastamentos com mudanças simples na relação com a comida. Algumas estratégias incluem:
Manter uma rotina alimentar organizada: evitar longos períodos sem comer e incluir refeições equilibradas ao longo do dia.
Priorizar alimentos que dão energia e concentração: frutas, vegetais, proteínas e grãos integrais ajudam a manter a mente ativa.
Evitar dietas restritivas: optar por escolhas que façam sentido no dia a dia e que possam ser mantidas a longo prazo.
Buscar apoio profissional: contar com acompanhamento nutricional pode ajudar a identificar padrões nocivos e criar uma rotina sustentável.
Cuidar do comer emocional: desenvolver estratégias para lidar com sentimentos sem usar a comida como única válvula de escape.
O absenteísmo não está ligado apenas a doenças médicas ou psicológicas. A forma como cada pessoa se relaciona com a comida também desempenha um papel crucial nesse cenário. Alimentar-se de forma desorganizada, restritiva ou emocional pode gerar problemas físicos e emocionais que levam à queda de produtividade e ao aumento das faltas no trabalho.
Ao repensar a relação com a alimentação e adotar hábitos mais equilibrados, é possível não apenas melhorar a saúde, mas também conquistar mais disposição, foco e bem-estar no ambiente profissional. Prevenir é sempre mais eficaz do que remediar — e isso vale também para o cuidado com a comida.
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Nutricionista Joseane Bessa
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