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23 de outubro de 2023
Nos últimos anos, o jejum intermitente ganhou fama como uma solução rápida para emagrecer. Vídeos, reportagens e influenciadores reforçaram a ideia de que “ficar sem comer por horas” seria o segredo do emagrecimento.
Mas será que o jejum intermitente é realmente a melhor estratégia para perder peso e cuidar da saúde?
Neste texto, vamos refletir sobre os efeitos reais do jejum e entender por que ele pode até parecer funcionar no início, mas muitas vezes cobra um preço alto no longo prazo — física e emocionalmente.
A resposta é: sim e não.
Do ponto de vista fisiológico, qualquer estratégia que leve ao famoso déficit calórico — ou seja, consumir menos calorias do que se gasta — pode provocar emagrecimento. Isso inclui dietas, mudanças de hábito e, sim, o jejum.
Mas a questão não é só "funciona?", e sim "a que custo?".
O jejum, ao restringir a janela alimentar, pode reduzir o total calórico consumido. Mas ele também pode desencadear:
Pensamentos obsessivos com comida.
Episódios de comer em excesso após longas horas de privação.
Culpa após comer.
Medo de engordar.
Ciclos de jejum – exagero – culpa – jejum, que se repetem por semanas ou meses.
Esse ciclo é um terreno fértil para o efeito sanfona e, em alguns casos, pode contribuir para o desenvolvimento de compulsão alimentar e outros transtornos.
Você já tentou fazer jejum e percebeu que:
Ficava horas pensando em comida?
Ficava irritada, com dor de cabeça ou com dificuldade de concentração?
Quando finalmente ia comer, sentia vontade de exagerar?
Depois vinha a culpa?
Se sim, isso não é fraqueza — é a resposta natural do seu corpo e cérebro tentando te proteger de um estado de privação.
Com o tempo, esse ciclo desgasta. E muitas pessoas acabam voltando ao ponto de partida com ainda mais peso, mais culpa e mais dificuldade de confiar no próprio corpo.
Esse é um argumento muito comum. E sim, pode ser que alguém tenha emagrecido com jejum intermitente, principalmente no curto prazo.
Mas emagrecer não é sinônimo de sucesso nutricional. Precisamos olhar para:
Como está a relação dessa pessoa com a comida?
Quanto tempo ela conseguiu manter esse estilo alimentar?
Como está sua saúde emocional e social?
Ela sente liberdade ou vive com medo de sair da rotina?
O que funciona para um corpo, pode não funcionar para outro. E mais importante: o que funciona agora pode não ser sustentável depois.
Durante a pesquisa para esse texto, me deparei com uma pergunta que me preocupou muito: “Jejum de água emagrece?”
Essa prática, também chamada de “jejum seco”, é extremamente perigosa.
Nosso corpo precisa de água para funcionar: nossas células, intestino, pele, olhos, rins, tudo depende da hidratação adequada. Sem água, os processos químicos do corpo entram em colapso.
Não existe emagrecimento saudável quando você priva o corpo de algo tão essencial quanto a água. Jejum de água não é uma estratégia, é um risco. Vamos parar com isso, ok?
Tomar água ajuda o corpo a funcionar melhor, sim. Mas não porque “acelera o metabolismo” ou “queima gordura”. Ela:
Melhora o funcionamento intestinal.
Favorece as reações metabólicas.
Evita desidratação e dores de cabeça.
Ou seja: água é fundamental, em jejum ou não. Mas não espere que ela, sozinha, seja o segredo do emagrecimento.
O problema não está em cuidar da alimentação ou ter objetivos com o corpo. A questão é como você faz isso.
Em vez de cortar refeições ou fazer jejum prolongado, você pode:
Aprender a respeitar sua fome e saciedade.
Comer de forma equilibrada, com prazer e sem culpa.
Entender o que está por trás dos exageros.
Construir uma rotina alimentar possível e realista.
Tudo isso é mais efetivo — e sustentável — do que estratégias restritivas que só funcionam enquanto você consegue segui-las.
Se seu objetivo é emagrecer, ele é legítimo. Mas isso não significa que você precise se submeter a sofrimento, culpa ou controle extremo.
É possível sim emagrecer com:
Respeito ao corpo.
Flexibilidade alimentar.
Apoio psicológico e nutricional.
Rotina que você consegue manter no longo prazo.
A mudança verdadeira acontece quando você para de brigar com o corpo e passa a entender o que ele precisa.
O jejum pode até aparentar ser a solução para emagrecer, mas na maioria das vezes é apenas mais uma armadilha da cultura da dieta: oferece resultados rápidos, mas insustentáveis e com alto custo emocional e físico.
Se você já tentou de tudo e está cansada de viver no ciclo da culpa, da rigidez e do efeito sanfona, talvez o caminho não seja mais controle — mas mais autoconhecimento, acolhimento e leveza.
Quer sair do ciclo do jejum e começar a cuidar da sua alimentação com liberdade e consciência?
Eu posso te ajudar.
Agende sua consulta e vamos juntas entender o que está por trás da sua relação com a comida. Chega de viver de restrições e começar de novo toda segunda-feira.
Contato
Espero ter exposto de forma clara o que tenho a lhe oferecer, caso tenha alguma dúvida, por favor entre em contato comigo. Terei o maior prazer em lhe atender.
Nutricionista Joseane Bessa
CRN 3 51561
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