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23 de outubro de 2023
Primeiro, precisamos entender que o comer emocional não é, necessariamente, um problema, porque ele faz parte da nossa vida desde que nascemos.
Quando um bebê mama, ele recebe amor, calor, carinho – tudo isso ao mesmo tempo. Então, ele começa a associar o leite materno com esses sentimentos, criando a ideia de que aquele leite representa afeto, conforto e presença materna. Crescemos com essas representações.
Por exemplo, um bolo pode te lembrar de aniversários, férias na casa da avó ou café da tarde com a família.
As autoras do Comer Intuitivo, Evelyn Tribole e Elyse Resch, classificam o comer emocional em duas categorias: funcional e disfuncional.
No comer emocional funcional, temos:
Comer por gratificação: comer algo simplesmente para ter prazer, sabendo que é um momento passageiro.
Comer por conforto: buscar um alimento que traz memórias afetivas ou lembra pessoas especiais.
Nesses casos, eu respeito minha necessidade de comer emocionalmente, mas sei que a comida não irá resolver o problema.
Já no comer emocional disfuncional, encontramos três situações:
Comer para se distrair: acontece muito no tédio. Imagine um domingo chuvoso, você já assistiu todas as séries, não tem nada de interessante para fazer... O que escolhe? Comer! Isso te distrai do tédio e de outros sentimentos que podem estar por trás dele. Talvez o tédio esteja te dizendo que você precisa de mais lazer.
Comer para se sedar: quando lidar com uma emoção parece difícil, a pessoa come, come e come até se sentir quase anestesiada. Ela fica "entorpecida" pelo prazer da comida e não consegue mais acessar a emoção que estava tentando evitar.
Comer para se punir: é comum quando há culpa envolvida na alimentação. A pessoa pensa: "Já que comi algo 'errado', vou comer tudo de uma vez, porque já estraguei tudo mesmo." Mas essa autopunição pode acontecer também em outras situações, quando alguém sente que errou, mesmo que não envolva comida.
Essas formas de comer emocional te distanciam das suas emoções, e isso pode ser um problema porque as emoções funcionam como um GPS interno. Elas nos indicam se estamos no caminho certo ou se algo precisa mudar.
Se você usa a comida para silenciar esses sinais, pode acabar seguindo na direção errada e perceber tarde demais.
Como eu disse no começo, o comer emocional faz parte da vida. Tudo o que comemos tem um significado para nós, e as emoções nos ajudam a construir essa história.
Mas a comida, sozinha, não resolve os problemas – na verdade, quase nunca. Por isso, precisamos olhar para as emoções como aliadas que nos avisam quando algo não está bem e precisamos agir!
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Nutricionista Joseane Bessa
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