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23 de outubro de 2023
Eu escolhi ser nutricionista aos 15 anos. Foi vendo um vídeo em uma das aulas de curso profissionalizante.
Foram dois vídeos, um contava a história de uma moça que iria fazer bariátrica e estava se despedindo da comida antes da cirurgia, ou seja, comendo muito, muito mesmo.
Outro vídeo era de alguns jovens com anorexia recusando comer até um grão de arroz.
Aquelas duas situações aparentemente tão diferentes me chamaram a atenção. Por que aquelas pessoas se relacionavam daquele jeito com a comida?
Eu cresci num lar onde comida na mesa era sinal de que as coisas estavam bem. Meus pais passaram por momentos em que a comida não era algo tão fácil de se ter.
Eu me animei muito com a ideia de ser nutricionista e logo fui pesquisar tudo sobre a profissão, mas logo me desanimei com a realidade. Cada parcela da faculdade estava muito longe da minha realidade.
E foi no meu emprego de menor aprendiz que uma colega falou para mim: Josi, por que você está aqui trabalhando e não se preparando para o vestibular?
Eu falei para ela: Eu não tenho dinheiro para fazer uma faculdade.
Ela respondeu: Mas tem universidade pública e para alunos de baixa renda eles dão uma renda de permanência estudantil.
Eu: Sério? Como funciona?
Ela me explicou que pela minha idade (16 anos) eu poderia tentar como treineiro, ela imprimiu uma lista com data de todas as provas, lista obrigatória de livros e me deu todos os livros da época do vestibular dela.
Eu me inscrevi para a prova da UNESP e USP. Li todos os livros e comecei a estudar sozinha para o vestibular. Em 2011 eu acertei 38 questões na prova da UNESP, para ir para 2ª fase precisa acerta 45, foi quase.
Aquilo me deu tanto ânimo porque eu tinha estudado em uma escola pública e até aquele momento estava estudando sozinha, imagina se eu pudesse estudar num cursinho.
Aí comecei a tentar bolsa nos cursinhos pré-vestibular, em um eu consegui R$1500 de desconto, eu pagaria R$ 500. Naquela época somente o meu padrasto trabalhava já que minha mãe havia parado de trabalhar por conta da esquizofrenia.
Eu recusei a bolsa porque não havia como pagar. A atendente no telefone falou assim: mas moça essa é oportunidade imperdível, você ganhou R$ 1500 de desconto.
Eu respondi: Moça a questão é R$1500 ou R$ 500 para mim é mesma coisa, não posso pagar nenhum dos dois.
E através da minha madrinha fiquei sabendo da existência de um cursinho popular chamado Prestes.
Todo esse movimento em torno do vestibular aconteceu comigo trabalhando como menor aprendiz, entretanto sabendo das deficiências do ensino público eu precisava me dedicar integralmente ao meu sonho.
Por isso, fiquei tempo suficiente para juntar dinheiro e pagar minha passagem de ônibus para o cursinho. Parênteses aqui para explicar que quando falei para os meus pais que sairia do emprego para tentar uma vaga numa universidade pública eles disseram que aquela faculdade era coisa de rico.
Eles não falaram por mal, estavam tentando me proteger da decepção e me manter no caminho que todos ao meu redor faziam: trabalhar, ganhar dinheiro e pagar contas. Faculdade do lugar onde eu vim era tão longe quando a possibilidade de ir para a lua (durante o cursinho eles me apoiaram).
Mas eu estava determinada e juntei dinheiro para caso não tivesse apoio deles.
Eu saí de férias em Janeiro de 2012 e na volta pedi demissão. Deu frio na barriga, mas eu fui.
Durante o ano de 2012 eu estudava 10 horas no cursinho e 4 horas na escola, estava no último ano do Ensino Médio. Confesso que foi revoltante perceber que mesmo sendo uma das melhoras alunas da escola o que aprendi não estava nem perto da exigência de um vestibular de uma universidade pública.
Era hora de correr atrás do prejuízo, por isso estudava 14 horas/dia todos os dias. Foi cansativo, mas foi divertido porque estava trilhando o caminho do meu sonho.
E sem esperar muito eu fui para o vestibular e para minha surpresa passei para 2ª fase da UNESP e da UNICAMP.
Eu queria muito estudar na UNICAMP porque tinha o melhor programa permanência estudantil, passar no vestibular era a parte mais fácil. O difícil era como fazer para se manter estudando num curso integral.
Em fevereiro de 2013 saiu o resultado do vestibular e eu não havia passado, fiquei triste, muito triste mesmo porque depois da segunda fase aquele sonho parecia tão pertinho de acontecer.
Mas como desistir não era uma possibilidade, eu fui para o cursinho iniciar um novo de estudo.
Porém nessa época o dinheiro estava curto eu comecei ir a pé para o cursinho para economizar dinheiro.
Em março de 2013 eu passei na 4ª chamada da UNESP e fui para Botucatu. E eis que para minha surpresa um dia depois de fazer minha matricula descobri que passei na UNICAMP de forma curiosa.
Eu fui para a biblioteca da faculdade e no computador estava a página do G1 com a notícia da 4ª chamada do vestibular, eu acessei por curiosidade e fui ver quem tinha passado em Nutrição e rolando a página...encontro meu nome.
“AAAH MEU DEUS EU PASSEI, obrigada Deus!!!” eu não conseguia acreditar. Eu passei na faculdade que eu queria, eu era unicampineira.
Cancelei minha matrícula na UNESP e fui para UNICAMP no dia seguinte.
Em março de 2013 iniciou oficialmente meu sonho de ser nutricionista, depois venho contar a história na faculdade.
Contato
Espero ter exposto de forma clara o que tenho a lhe oferecer, caso tenha alguma dúvida, por favor entre em contato comigo. Terei o maior prazer em lhe atender.
Nutricionista Joseane Bessa
CRN 3 51561
E-mail: unrtjisobiseas@gamli.cmo
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