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3 de agosto de 2026
Entenda como estresse, rotina, emoções e ambiente de trabalho podem influenciar a relação dos colaboradores com a comida — e como as empresas podem promover saúde sem transformar alimentação em cobrança.
Almoço corrido, o bolo na copa que quando alguém vai pegar fala “No presencial não tem como fazer dieta”, aniversário de alguém e mais um comentário parecido, biscoitos na reunião e as pessoas comem para passar o tédio ou a ansiedade do momento.
Aquele colaborador que está tomando sempre um café para aliviar o cansaço e sono, aquela pessoa que procura doce durante a tarde porque a carga emocional do trabalho ou da vida está difícil e sem esquecer aquele que coloca a produtividade acima de tudo e não para almoçar.
Se você olhar apenas o que a pessoa está comendo ou não parece não haver problemas, mas a questão é o que impulsiona o comportamento. Eu já atendi pacientes que sofriam muito com a necessidade de comer bolo de pote todos os dias no trabalho, no geral ela não comia muito doce, porém a sensação que precisava é o que a fazia sofria.
Ao longo do acompanhamento percebemos que o que fazia precisar do bolo de pote era tensão que vivia no trabalho. Trabalhamos formas de lidar com a tensão e consequentemente diminuiu a necessidade desse alimento.
No dia a dia da empresa parecia que ela só gosta um tanto a mais do doce, mas esse comportamento escondia um desconforto da colaboradora com a empresa.
Comportamento alimentar não significa simplesmente comer melhor ou mais saudável.
Alguém pode comer salada todos os dias e ainda assim não ser saudável.
“Josi, como assim?”
O comportamento alimentar envolve muito mais do que a pessoa come, envolve quando comemos. Lembra que no exemplo eu trouxe que a colaboradora comia no período da tarde e no trabalho presencial. Por quê no período da tarde e no presencial?
E como comemos, ela comia correndo na mesa de trabalho. Se era para o prazer não faria mais sentido deixar para comer esse bolo num café ou em casa num momento de calma e tranquilidade?
Com quem comemos também importa, se é necessidade de conexão ou falar de dor em comum se encontrar na mesa do café faz super sentido. Mas se talvez o problema é com a equipe a pessoa pode querer comer de forma isolada.
E como falei na Introdução algumas falas e crenças podem aparecer na hora de comer demonstrando o medo de engordar, o medo das calorias ou a falta de habilidade de lidar com a comida, mesmo que as pessoas estejam rindo ao falar pode demonstrar um sofrimento.
E outro ponto é como ambiente influencia nisso, um ambiente estresse e pouco acolhedor irá facilitar comportamentos disfuncionais na relação com a comida.
O estresse do trabalho pode influenciar em maior cansaço que pode levar a dificuldade para descansar e ter um sono reparador que influencia na percepção de fome e saciedade, logo a pessoa pode comer mais ou menos do que o necessário.
Essa desorganização pode levar uma rotina alimentar não tão estruturada ou comida como forma de recompensa, aí onde entra o comer emocional. Ou até mesmo pular várias refeições ao fim do dia esse cansaço está ainda mais intenso.
Isso quer dizer que apenas o trabalho pode afetar a forma como a pessoa come? Não, todos nós temos uma história que em alguns casos pode influenciar na forma como a pessoa come e se relaciona com seu corpo.
Pessoas que ouviram quando crianças ou adolescente: “Desse jeito nunca vai conseguir um namorado”, “Comendo desse jeito não vai passar nem na porta”, “Sua irmã pode comer porque ela é magrinha”, “Pessoas como você não pode usar essa roupa”.
Pessoas que cresceram ouvindo frases como essas podem ter dificuldade de lidar com momentos festivos, na empresa, que envolvam comida. De ter autoconfiança já que tem vergonha do seu corpo ou cuidar da sua saúde porque aprendeu que não merecem cuidado e isso pode influenciar no desenvolvimento da sua carreira e produtividade.
A questão é complexa e pode o ambiente influenciar e questões pessoais influenciar no ambiente.
Uma paciente me contou que no seu trabalho havia sempre algo para comer, era doce e energético espalhados para todo o canto. E sem contar os vários eventos que envolvia comida.
Porém, para além de um ambiente propício ao exagero também havia um ambiente com muita pressão, cobrança e tensão. Às vezes até tensão em relaão ao corpo para que emagrecesse mais um pouco ou falas constante de elogio ou crítica ao corpo de outras pessoas.
Ela me disse: Josi, eu como para sobreviver a esse ambiente!
Que difícil, né! Mas é importante entender que nem sempre a pessoa que está comendo e dando risada está realmente feliz, às vezes ela está muita nervosa, ansiosa e desconfortável com o ambiente.
O papel da empresa no comportamento alimentar é promover um ambiente seguro, sem julgamentos e adequado para comer.
Isso que dizer que a empresa precisa ter na sua cultura e rotina pausas para comer e ir ao banheiro. Isso parece bem obvio, mas há empresas onde existe tanta pressão que os colaboradores abrem mão desse cuidado tão básico.
Outro ponto é marcar reuniões onde não sejam em horários tradicionais da hora da refeição como 12h/13h. Observar se os colaboradores pulam refeições como o almoço para comer um lanche e ficar mais tempo trabalhando.
Muitas empresas tem máquina de alimentos, porém às vezes essas máquinas não oferecem opções nutritivas para o dia a dia. Não estou dizendo que não pode ter um doce ou um salgadinho, mas muitas máquinas tem apenas isso.
A cultura de comemorações com a comida é algo para se olhar de perto. Antes que você pense não sou contra o bolo confeitado na festa dos aniversariantes do mês, entretanto já palestrei em empresas que estimulavam os colaboradores a trabalhar até mais tarde e ofereciam pizza como recompensa. Uma vez ou outra ok, mas sempre é preciso repensar esse comportamento.
Comentários sobre o corpo, como no caso que eu trouxe, mesmo que sejam elogios trazem uma vigilância para o próprio o corpo, algo do tipo: “Se eles perceberam que a fulana emagreceu, vão perceber que eu engordei”. E os momentos descontraídos se tornam mais um momento de estresse e por conta disso um situação que leva ao exagero na hora de comer.
As escolhas são individuais, mas promover um ambiente mais saudável (e não estou falando apenas de fruta) para que a alimentação aconteça pode tornar esse caminho mais fácil.
Ao cuidar do comportamento alimentar dos colaboradores é importante ter em mente que isso não significa criar um ambiente com mais pressão e fiscalização do que as pessoas estão comendo.
Quero trazer um exemplo: Uma paciente uma vez me contou que na empresa que trabalha o RH organizou uma dinâmica para incentivar a atividade física entre os colaboradores. Eles que tinham que fazer alguma atividade física e postar no grupo, eles iriam para um racking e quem tivesse em primeiro lugar ganharia um prêmio.
Eu acredito que quem criou isso tenha feito com a melhor da intenções, mas essa dinâmica é cheia de problemáticas. Primeiro, talvez o seu colaborador não queira (é um direito dele) expor a formação de hábito dele para os colegas. Segundo, o que era para ser algo para promover a saúde promove ainda mais pressão, a pessoa que foi todos os dias não necessariamente vai continuar depois que a premiação acabar.
E sem contar que o desenvolvimento desse hábito pode ser associado a dedicação à carreira. Se a pessoa ganha na atividade física, logo é dedicada no trabalho também. Isso não é verdade, mas pode fazer os colaboradores se olharem assim.
E sem contar que cada colaborador está partindo de um lugar, logo medir o cuidado da saúde dessa forma é injusto.
Eu trouxe um exemplo de atividade física, mas é importante estar atento para não criar ações que fiscalizem o peso das pessoa, controle os pratos do colaboradores, competição de peso, separar os alimentos em bons e ruins ou incentivar comentários sobre o corpo das pessoas, mesmo que seja na forma de elogios.
Um caminho alternativo e mais saudável é oferecer educação em saúde, estimular pausas adequadas que promova a ideia do autocuidado (algumas pessoas podem querer beber água, outras podem comer fruta, outras conversar), promover o respeito a diversidade corporal e as necessidades de cada um, criar espaço de reflexão sobre saúde e bem-estar (palestra e rodas de conversas são ótimas ideias).
Cuidar da alimentação é uma forma de cuidar da saúde mental das pessoas, isso porque a relação com a comida pode vir acompanhada de estresse, ansiedade, cansaço, culpa, baixa autoestima, sensação de perda de controle.
Dependendo do grau isso tudo pode ser vivido com muita intensidade e mesmo que a pessoa cuide das emoções, se ela não olha especificamente para o seu comportamento alimentar o sofrimento pode continuar.
Nesse sentido, o trabalho da/o nutricionista, psicóloga (o), médica (o) são fundamentais para ajudar a pessoa a sair desse ciclo e encontrar paz na sua relação com a comida e com suas emoções.
Um ambiente de trabalho sustentável trazem o bem-estar e a saúde como pilar da empresa. Cuidar do comportamento alimentar dos colaboradores pode contribuir para a qualidade de vida, educação em saúde, autocuidado, bem-estar, saúde mental, cultura de respeito, prevenção e conscientização.
Esses cuidados podem contribuir para uma vida, onde há espaço para cuidar de si e não apenas e exclusivamente do trabalho. E consequentemente um cuidado com todas as áreas da vida.
E quero trazer algumas sugestões de formas de trabalhar o comportamento alimentar no trabalho que seja de forma saudável e acolhedora:
Educação em saúde: Conversas e palestras sobre comportamento alimentar, estilo de vida, estresse e hábitos.
Uma palestra sobre comportamento pode contribuir para ampliar a consciência e desmistificar crenças alimentares. Muita gente, acredita que para emagrecer precisa tomar água com limão ou não pode comer pizza enquanto está emagrecer (e se puder tem que compensar depois). É tanta informação desencontrada.
As pessoas não saber identificar quando estão triste, com raiva ou frustradas, mas elas sabem dizer, normalmente, quando comem muito e que a relação com a comida não está legal. Falar do comer emocional é uma forma prática de trazer a importância de cuidar da relação com a comida e das emoções.
A imagem corporal é um assunto que pode ajudá-la a começar a colocar limites nas pessoas que falam do corpo dela e mudar a forma que se relacionam consigo mesma. Eu já atendi profissionais brilhantes que não se sentiam assim por não ter o corpo padrão e quando perceberam que eram lindas da sua maneira e que independentemente do corpo podiam viver, isso trouxe confiança e autoestima para elas.
Quando as pessoas pensam em cuidar da alimentação, logo pensam em cortar grupos de alimentos ou ficar sem comer. Por isso, nas minhas palestras eu gosto de trazer alguns exercício que traga reflexão e ações práticas para o dia a dia.
A pergunta não deveria ser apenas "o que nossos colaboradores estão comendo?". Talvez seja também: "o que a relação deles com a comida está nos contando sobre a forma como estão vivendo?"
Olhar para o comportamento alimentar é uma questão de saúde e bem-estar e não de fiscalização. Quem tem uma relação difícil com a comida, não precisa de puxão de orelha, mas sim de escuta e acolhimento.
Empresas não precisam controlar a alimentação de seus colaboradores. Podem, porém, criar espaços de informação, reflexão e cuidado que favoreçam uma relação mais saudável com a comida e com o próprio corpo.
É essa perspectiva que levo às minhas palestras corporativas sobre comportamento alimentar, saúde mental e bem-estar no trabalho.
Contato
Espero ter exposto de forma clara o que tenho a lhe oferecer, caso tenha alguma dúvida, por favor entre em contato comigo. Terei o maior prazer em lhe atender.
Nutricionista Joseane Bessa
CRN 3 51561
E-mail: unrtjisobiseas@gamli.cmo
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